terça-feira, 20 de setembro de 2011

História do disco Selvagem?, dos Paralamas do Sucesso.


Lembro-me perfeitamente quando criança eu estudava no colégio Pimentel Gomes, todos os dias passava em frente a uma residência e, o som que rolava era o disco Selvagem? Dos Paralamas. Parecia algo premeditado. Não possuía em casa, “vitrola” ou qualquer outro “aparelho de som”, nem esse LP, mas a qualidade desse disco despertou em mim um amor enorme pela boa música. Há 25 anos os Paralamas do Sucesso lançavam o disco Selvagem?, hoje um clássico na história da música brasileira. De lá para cá, muita coisa aconteceu, tanto no mundo da música como na história da própria banda nascida no Rio de Janeiro. Mesmo assim, o terceiro álbum do trio, ainda é apontado como um dos trabalhos mais emblemáticos do pop rock nacional.

Em abril de 1986 chegava às lojas Selvagem?, terceiro LP dos Paralamas, para aclimatar de vez o som de toda uma geração. O chamado "rock de bermuda" se assumia de vez com letras engajadas, movimentos de corpo jamaicanos e total pouca vergonha em suas partes, digamos assim, mais brasileiras. "Um disco forte e desestruturante que marca o início de uma nova era da música brasileira", empolgava-se o produtor Liminha no texto de apresentação distribuído à imprensa. Duas décadas depois, o jornalista Jamari França, situa assim: "Selvagem? foi o atestado de maturidade da geração 80 do Rock Brasil. Conectou três matrizes importantes da música negra do Terceiro Mundo: Bahia, Jamaica e África. Abriu um leque de possibilidades e foi precursor da sonoridade que reinou nos anos 90".

FRASES / REPERCUSSÃO:

"Ele foi um disco, acima de tudo, muito corajoso. Os Paralamas tinham acabado de vir de sucessos como Meu Erro, Óculos e Me liga, com temas ligados ao amor, e fizeram um disco com letras socialmente muito fortes, como Alagados, O Homem e A novidade (essa do Gil). A outra parte da coragem em si, foi abandonar um pouco da linha rock new wave de O passo do Lui e dar uma guinada para o outro extremo do mundo indo buscar influências na Bahia, na Àfrica e na Jamaica, ao invés da Inglaterra. O Selvagem? é o pai do Severino, musicalmente, e do MangueBeat, na temática social. É um disco essencial" - Rodrigo Barbosa Melo - FC Nação Severina

"Este é o grande álbum do rock nacional dos anos 80. Principalmente porque traz um gênero jamaicano chamado dub. Os efeitos tirados em estúdio junto com Liminha foram muito bem usados. A música Selvagem, é um clássico." - Falcão, vocalista do Rappa

“Selvagem é um marco em vários sentidos pelo fato de ele ter tido uma penetração, abrindo mercados, abrindo possibilidades de a gente expandir”. “Com o Selvagem a gente estava tentando nadar em cores nacionais. E ter um retorno tão forte pra gente significou “Uau! Que legal que tenhamos encontrado esse grau de sintonia”. Herbet Vianna

“A gente queria romper. A gente não queria fazer a continuação do Passos do Lui. Então a gente se provocou. Falamos:  Vamos fazer outra coisa totalmente diferente”. Bi Ribeiro

“Acho que esse disco foi maturando ao longo do que a gente foi fazendo em 1985, depois do pipoco todo do Rock in Rio. Ao longo de 1985 a gente ouvia cada vez mais compulsivamente reggae, música africana... Isso foi meio que ficando nessas entrelinhas do Selvagem. Temos uma atitude muito despojada, como sempre foi no nosso trabalho. A gente não acha que seja uma obra de arte assim. Achamos que é um disco muito importante pra nós”.  João Barone

“Esse disco é um divisor de águas no trabalho dos Paralamas e indica também um caminho para o rock. Minha colaboração com eles foi mais melhorar, gravar, observar o que tinha, alguma aresta para ser lapidada. Mas não foram feitas mudanças radicais, sabe? Não foi um disco criado num estúdio”. Liminha, produtor do disco

“Me lembro da primeira vez que ouvi a introdução com o riff de guitarra de ‘Alagados'. Eu falei: ‘Caraca!' Aquilo era a possibilidade de misturar a música brasileira com as outras referências que eu sempre enxergava, sempre apreciava nos Paralamas do Sucesso”. Haroldo, do Skank

"Ele teve um impacto singular na época. Vários amigos acharam o disco ‘brasileiro’ demais. Na verdade, esse foi o detalhe que o tornou tão especial." John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu

"As misturas musicais desse disco dos Paralamas seriam a tônica da geração dos anos 90. Ele acabou com a ‘negação da música brasileira’, que era muito forte nas bandas dos anos 80. Para mim, mostrou que era possível fazer sucesso sem ter que necessariamente parecer um inglês encapotado num país tropical". Henrique Portugal, tecladista do Skank.

Imagina a nossa emoção ao ver o Gil gravando "Alagados". Ele estava super gripado, tomou um chá e uma colher de mel e mandou ver assim mesmo. Depois, fez aquela letra sensacional de "A Novidade", em cima da melodia cantarolada que o Herbert mandou. Ele escreveu a letra em cima certinho, respeitando as divisões, a métrica. Foi demais. O Gil recebeu a fita (era fita cassete na época!) em Florianópolis, onde estava fazendo shows. Ele passou a letra para o Herbert pelo telefone, no estúdio. O Herbert escrevia e chorava de emoção... Quando ele acabou de escrever, gritava: "olha só que coisa linda!". João Barone

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