segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Tecnologia na Educação: Vilã ou Mocinha?



Hoje resolvi escrever algo de extrema importância para nossa geração, que é o papel da tecnologia na educação, suas vantagens, mudanças na relação professor/aluno e aluno/conhecimento, bem como suas implicações para a formação dos professores. Essas reflexões têm mostrado que o uso da tecnologia, quando dentro de um planejamento cuidadoso, que integra todos os atores do processo de educação, cada um com seus papéis bem definidos e conscientes de seus limites e possibilidades, pode trazer ganhos reais para a aprendizagem. Parece haver consenso de que, com a tecnologia, o ambiente de sala de aula é extrapolado para um acervo crescente de informações, embora multifacetadas e fragmentadas, e alcança limites antes não imaginados. Quando professores e alunos assumem verdadeiramente seus papéis dentro desse processo, os aparatos tecnológicos propiciam inúmeras possibilidades formativas. Ao professor, cabe fazer a mediação entre esse universo de informação, que parece se multiplicar diariamente em progressão geométrica, e os alunos. A contextualização, integração e crítica a esse volume de informações buscam garantir o desenvolvimento da reflexão e a construção do conhecimento. Para tal, o domínio e o uso dessa nova linguagem digital, associados à sua articulação com os conteúdos específicos da disciplina precisam fazer parte da prática do professor.

No entanto, alguns estudiosos nos trazem reflexões sobre possíveis riscos trazidos pela educação mediada pela tecnologia. A partir de agora, vamos conhecer alguns desses estudiosos e suas ideias. Seria a mediação da tecnologia prejudicial ao processo de aprendizagem? Acarretariam os meios de comunicação de massa prejuízos para a relação entre professores e alunos, tornando a pouco individualizada e, por isso, menos efetiva?

Tais questionamentos têm trazido inquietações para diversos pesquisadores e colocam em "check" o real potencial da tecnologia como instrumento mediador eficiente. Naercio Menezes Filho, professor da IBEMEC São Paulo e da Faculdade de Economia e Administração da USP, disponibiliza um arquivo on- line no qual apresenta uma série de gráficos que mostram os números praticamente caóticos da educação no Brasil e aponta que, nesse cenário de alunos e professores desmotivados e desinteressados, iniciativas para se colocar computadores/laptops em sala de aula não seriam suficientes para alavancar esses números a ponto de exercer um papel significativo nas relações de aprendizagem e trazer resultados concretos, (Caso que ocorre em Rio Branco Acre, onde a maioria dos discentes do terceiro ano receberam laptops do sr. Governador do estado, porém, a grande maioria cerca de 70% desses alunos não sabem sequer manuseá-los). Aponta ainda que o uso da internet dispersa facilmente o aluno, que está muito mais interessado em navegar livremente e trocar mensagens com seus amigos.

Outro pesquisador a apontar problemas quanto ao uso da tecnologia em sala de aula é Valdemar Setzer. Dono de um vasto currículo acadêmico sobre o assunto, Valdemar é praticamente categórico em afirmar que os diversos recursos tecnológicos tão cultuados pelas crianças deveriam "ser, se não banidos, pelo menos usados com muita parcimônia".

A TV não tem praticamente nenhum efeito educativo. Educação é um processo muito lento (o que se aprende de forma instantânea não tem valor profundo) e deve acompanhar o processo global da criança ou do jovem, mas na TV tudo é rápido pela necessidade do aparelho. O ponto mais negativo, porém, da televisão com relação à educação é que esta exige atenção e atividade do estudante, sobretudo quando se pensa que a educação deveria ter como uma das principais metas desenvolver nas crianças e nos jovens a capacidade de imaginar e de criar mentalmente. Mas a televisão faz exatamente o contrário: O constante bombardeio de milhões de imagens faz com que o telespectador perca a habilidade de imaginar e criar. Isso é principalmente preocupante com crianças e jovens, que estão desenvolvendo essas habilidades (nem adultos que as tenha, a perda parcial pode ser lamentável, mas muito pior é nem chegar a desenvolvê-las). Pode-se concluir que a televisão pode ser empregada como meio de condicionamento, mas não de educação.

O computador é uma máquina abstrata que impõe pensamentos e linguagens formais, lógico simbólicas. Uma máquina assim não é adequada antes da puberdade e antes do ensino médio, a época do desenvolvimento da capacidade de pensar de forma abstrata e formal. Antes desse período, ele iria acelerar o desenvolvimento da criança ou do jovem de maneira inadequada, com sérios prejuízos mais tarde. Recorde-se também de eu ter chamado a atenção para o fato de o computador induzir a indisciplina. As crianças não têm autocontrole suficiente para dominar-se, direcionando e restringindo o uso do computador. Além disso, a indução da indisciplina é exatamente o oposto de algo que a educação quer obter.

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